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A Saga da Estrada-de-Ferro Paracatu (EFP)

Entrevista com um dos últimos ferroviários de Bom Despacho
Mapas e Imagens
Fotos do Museu Ferroviário em Bom Despacho
Texto sobre a EFP de 1987
A Locomotiva 325 (texto e fotos)
A EFP e Consolidação do Município de Bom Despacho - 1
A EFP e Consolidação do Município de Bom Despacho - 2
Praça da Estação

As estações da EFP em Pitangui/MG e Leandro Ferreira/MG
As estações da EFP em Bom Despacho/MG
As estações da EFP em Dores do Indaiá/MG
As estações da EFP em Serra da Saudade/MG

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EFP e a Consolidação do Município (2a parte)



Na minha opinião, a vinda do Escritório da Estrada de Ferro Paracatu concedeu à Vila de Bom Despacho uma importância regional naquela época. Em 11 de outubro de 1925, em artigo do jornal “O Bom Despacho”, Nicolau Teixeira Neto escreve sobre o Escritório Central da Estrada de Ferro Paracatu: ‘Depois de alguns meses de trabalho intenso, está finalmente terminada a grande esplanada para as oficinas e escritórios da Estrada de Ferro Paracatu. Mais de 20.000m2 é a área calculada, onde ficarão alojados com relativo conforto, todos os departamentos da administração da futura e já bem desenvolvida via férrea do Noroeste Mineiro. (...) é um Bom Despacho novo que nasce e cresce dia a dia robustecido por esta seiva nova e bendita do trabalho, da arte e do bom gosto.(...)’

A construção da ferrovia seguiu seu curso normalmente, inaugurando sucessivamente vários trechos e estações. A de Dores do Indaiá foi inaugurada em 1922 e em 1925 a de Melo Viana. Em 1927, ao atingir a Serra da Saudade, constatou-se que, dada a topografia local, a construção deste trecho seria muito onerosa, pois exigiria a abertura de inúmeros túneis e grande movimentação de terra.

Como a situação financeira, tanto do estado, quanto das ferrovias mineiras, não era boa, cresce no âmbito governamental a idéia de se unificar as administrações das companhias ferroviárias atuantes no estado. Cabe aqui ressaltar, que vários fatores contribuíam para o agravamento da crise, entre eles estavam a multiplicidade de bitolas, a preferência pelos traçados sinuosos (mais dispendiosos para o governo, porém mais rentáveis para as empresas, que ganhavam por quilometragem) e a própria concorrência entre as ferrovias. Desta forma os serviços prestados iam sofrendo um processo de degradação contínua.

Após a quebra da Bolsa de Nova York, em 1929, a crise capitalista atinge o Brasil e também a esfera ferroviária. Com a produtividade em baixa, o escoamento das mercadorias diminuiu, prejudicando o faturamento das empresas.

Unificação das Estradas de Ferro: R.M.V.

Em 1931, foi feito pelo Governo Federal um contrato com o Governo de Minas Gerais para o arrendamento da Estrada de Ferro Oeste de Minas. Ficou resolvido que a Oeste seria, como já estava sendo, explorada técnica e financeiramente, dentro de um aglomerado que englobaria três ferrovias: além da própria Oeste de Minas, a Estrada de Ferro Paracatu e a Rede de Viação Sul Mineira. A esta união deu-se a denominação de Rede Mineira de Viação. Com isso, Estrada de Ferro Paracatu se tornou Ramal de Paracatu, iniciando-se em Azurita e terminando em Barra do Funchal. Mesmo assim, as obras continuaram e, em 24 de abril de 1937 foi aberta ao tráfego o trecho entre Melo Viana e a estação de Barra do Funchal. Este trecho seria o último a ser concluído, pois devido à variados fatores, a construção da ferrovia foi interrompida neste ponto, para nunca mais ser retomada.
Em 1957, o processo de federalização ferroviária no Brasil se consolidou com a formação da Rede Ferroviária Federal S. A – RFFSA, que encampou, entre outras, a Rede Mineira de Viação.

A Estação Ferroviária de Bom Despacho funcionou por vários anos atuando no transporte de cargas mas, principalmente, no embarque e desembarque de passageiros. Mesmo com a interrupção da construção da linha férrea, o trecho correspondente ao Ramal Paracatu continuou a ser muito utilizado e por ele passavam centenas de passageiros e cargas variadas.

Nova Estação

Na década de 60, a antiga estação, de arquitetura representativa das construções ferroviárias do início do século XX, foi derrubada para dar lugar ao atual prédio da estação. Esse, construído de acordo com o repertório formal moderno. Assim, a cobertura em duas águas anterior deu lugar à laje plana. Sobre a plataforma, o telhado cerâmico sustentado por mãos francesas, foi substituído por laje em balanço.

A circulação de locomotivas pela nova Estação de Bom Despacho continuou acontecendo, a despeito da decadência do transporte ferroviário no Brasil. Pela estação, passaram várias máquinas movidas a vapor, dentre elas a Maria Fumaça, que hoje se encontra estacionada na plataforma aos cuidados do Sr. Manoel Werneck, ex-ferroviário em Bom Despacho.

A Estrada de Ferro Paracatu não atingiu o objetivo de chegar à Serra das Araras, na divisa de Minas com Goiás. Portanto, foi de extrema importância para o desenvolvimento urbano, social, político, econômico e cultural do município. Para citar um exemplo, vários congadeiros chegaram ao município através da estrada de ferro.

O Tombamento da Maria Fumaça e Praça da Estação

Foi pensando nessa importância que o Conselho Municipal de Patrimônio Cultural, presidido por Nicozina Campos, em acordo com os 24 conselheiros e prefeito municipal, indicaram como bens culturais com interesse de preservação municipal a Praça Olegário Maciel e a Maria Fumaça. Através dos decretos Nº 2583/03 e Nº 2582/03 respectivamente, foram tombados na esfera municipal. Existe ainda na esfera federal, a lei nº 10.413/02 que determina que o acervo ferroviário passa a integrar o acervo histórico e artístico da União. Com isso, proteger e zelar pelo acervo ferroviário deveria ser prioridade também no Legislativo municipal.

Mais informações:
Mapa da Cidade
Turismo & Lazer

Fonte:
Esse texto integra o Processo de Tombamento da Maria Fumaça e da Praça da Estação, feito em abril de 2003, por Carolina Costa Moreira. A bibliografia usada partiu de relatos orais, textos microfilmados na Universidade de Chicago e jornais locais da época.

CAROLINA COSTA MOREIRA
ARQUITETA E URBANISTA
e-mail: costamind@hotmail.com

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